Condenação é recado para quem debochou da morte de Marielle, diz Anielle
Irmãos Brazão foram condenados nesta quarta-feira (25) a 76 anos e 3 meses de prisão pela morte da vereadora e do motorista Anderson Gomes
Anielle Franco, irmã de Marielle Franco, disse que a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) pela condenação dos irmãos Brazão é um “recado” para quem debochou do assassinato da vereadora.
“Isso hoje é um recado à parcela da sociedade que debochou da morte da minha irmã, que traz ela como um elemento descartável, como se fosse só mais uma, em todo ano eleitoral”, disse a ministra em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (25).
“A estrutura que leva minha irmã a ser assassinada e pessoas que tentam diminuir esse fato precisa parar. Hoje. Urgente. Todas as vezes que falávamos em justiça, as pessoas debochavam da gente”, completou ela.
“É sim uma hora de ser irmã de Marielle e de ser parte de um governo democrático, porque se não fosse isso talvez não estivéssemos aqui”, finalizou.
Anielle ainda disse acreditar não ser uma “coincidência” a condenação de Domingos e Chiquinho Brazão ter ocorrido em uma quarta-feira. “A Marielle foi tirada de nós numa quarta-feira”, pontuou.
Antônio Francisco Silva, pai de Marielle Franco, também revelou nesta quarta-feira (25) que passou mal e teve um pico de pressão após a condenação dos irmãos Brazão.
STF condenou irmãos Brazão a 76 anos e 3 meses
A Primeira Turma do STF condenou os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão nesta quarta-feira a 76 anos e 3 meses de prisão pela morte de Marielle e Anderson. Eles foram assassinados in 2018.
Ex-conselheiro do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro), Domingos Brazão foi um dos mandantes da morte da vereadora.
Segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), ele teria ordenado o assassinato de Marielle por interesses econômicos ligados à regularização fundiária em áreas do Rio dominadas por milícias.
Seu irmão, Francisco Brazão, conhecido como Chiquinho, era vereador da capital fluminense à época do crime. A PGR aponta que ele e Domingos agiram em conjunto na decisão de eliminar Marielle.
A vereadora, então colega de Chiquinho na Alerj (Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro), teria tido embates políticos sobre projetos de regularização urbana e uso do solo com os irmãos.
A acusação da PGR argumentou que ambos integravam uma organização criminosa com atuação na Zona Oeste do Rio, ligada a milícias, grilagem de terras e formação de currais eleitorais.
No Supremo, os dois foram condenados pelos crimes de:
- duplo homicídio;
- tentativa de homicídio; e
- organização criminosa armada.
Além disso, os irmãos se tornarão inelegíveis a partir do trânsito em julgado (quando não cabe mais recurso). Até lá, terão os seus direitos políticos suspensos, incluindo o direito ao voto.
Domingos também perdeu o seu cargo público como conselheiro do TCE-RJ. Chiquinho já havia perdido o seu mandato como deputado federal em abril do ano passado.
Os irmãos continuarão presos preventivamente até o julgamento se tornar definitivo. Domingos está detido no Presídio Federal de Porto Velho, em Rondônia, enquanto Chiquinho encontra-se em prisão domiciliar no Rio de Janeiro, para onde foi transferido depois de comprovar problemas de saúde.
Fonte: CNN Brasil

