Presidente eleito do Chile, Kast indica ex-advogados de Pinochet como ministros

Entre os 24 nomes anunciados, 16 têm origem no setor empresarial e não estão vinculados a partidos políticos. “O Chile precisa de decisão, caráter e de um governo que aja com rapidez. Por isso, apresento hoje um gabinete para um governo de emergência. Não há tempo a perder”, declarou Kast.

Críticas

A escolha de Barros e Rabat foi duramente criticada por familiares dos mortos e desaparecidos durante a ditadura chilena. Pinochet faleceu em 2006, aos 91 anos, sem ser condenado, após comandar uma das mais violentas ditaduras na América Latina. Entre 1973 e 1990, mais de 3.200 pessoas foram mortas, desaparecidas ou torturadas e dezenas de milhares foram presas.

Em declaração conjunta, dezesseis associações de familiares de detidos desaparecidos e executados afirmaram que a nomeação “constitui uma ofensa direta à memória das vítimas da ditadura e a seus familiares, porque reafirma uma trajetória de apologia da ditadura e um compromisso com a impunidade.”

Além de defender Pinochet, o futuro ministro da Justiça e dos Direitos Humanos foi sócio de Pablo Rodríguez Grez, um dos fundadores do movimento Patria y Libertad, que cometeu atentados contra governo de Salvador Allende. Ele estará no comando da pasta responsável pelas políticas de memória que incluem, por exemplo, a busca dos restos mortais dos desaparecidos políticos.

ICE chileno

Ao longo da campanha, Kast não escondeu sua admiração por Pinochet. Ele obteve 58% dos votos nas eleições em dezembro, com uma agenda de combate ao crime, incluindo a promessa de construir prisões de segurança máxima aos moldes de El Salvador, criticadas por várias organizações internacionais.

Kast apostou no discurso contra os imigrantes. Ele pretende expulsar cerca de 340 mil imigrantes não documentados do país e criar uma polícia semelhante ao Serviço de Imigração e Controle Alfandegário (ICE) dos Estados Unidos. Ao ser eleito, ele deu um prazo de 92 dias, até sua posse, para que as pessoas saíssem do Chile, alertando que após este período, “qualquer um que solicite qualquer serviço público – saúde, educação, transporte, envio de dinheiro para o exterior, contrato, ou para vender qualquer coisa – vai ser registrado e convidado a sair”, disse.

Fonte: Opera Mundi