Epilepsia: saber agir em uma crise pode evitar acidentes e salvar vidas
Samu-DF orienta população no Dia Mundial de Conscientização e reforça enfrentamento ao preconceito
Um olhar distante, movimentos involuntários ou uma queda repentina podem ser sinais de uma crise epilética. Mais comum do que se imagina, a situação ainda gera medo e desinformação. Nesta quinta-feira (26), Dia Mundial de Conscientização sobre a Epilepsia, o alerta é claro: conhecer a doença e saber como agir faz toda a diferença.
“Quando a gente diminui o estigma, as pessoas procuram mais tratamento, se sentem acolhidas e conseguem ter autonomia. Isso facilita inclusive na hora de uma crise, porque quem está por perto sabe como ajudar”, explica a instrutora do Núcleo de Educação em Urgências do Samu-DF, Melline Resende.
A epilepsia é uma condição neurológica caracterizada pela ocorrência de crises convulsivas, que se repetem a intervalos variáveis, causadas por descargas elétricas desordenadas no cérebro. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença acomete cerca de 2% da população brasileira e cerca de 50 milhões de pessoas no mundo.
Nem toda crise é igual
Segundo Resende, a crise mais conhecida, com quedas e contração muscular, não é a única. “Existem crises mais sutis, como as de ausência ou focais. A pessoa pode ficar com o olhar vago, ter tiques nas mãos e no rosto ou até sentir cheiros e gostos diferentes”, explica.
As causas variam. Em crianças, podem estar ligadas a má-formação ou falta de oxigênio durante o parto. Em adultos e idosos, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e traumas (quedas com Traumatismo Crânio Encefálico – TCE) estão entre as causas mais frequentes.
O que fazer em uma crise convulsiva
É importante saber como agir. As orientações são simples e valem tanto para adultos quanto para crianças:
• Afaste objetos ao redor: retire itens próximos para evitar que a pessoa se machuque durante os movimentos
• Proteja a cabeça: utilize algo macio para reduzir o impacto contra o chão
• Deite a pessoa de lado: isso ajuda a manter a respiração e evita engasgos
• Não impeça os movimentos: as contrações são involuntárias e conter pode causar lesões
• Não coloque nada na boca: objetos podem quebrar os dentes ou provocar asfixia na pessoa
• Não force respostas: não dê tapas, não jogue água e não ofereça substâncias para cheirar
• Conte o tempo da crise: se durar mais de 5 minutos sem sinais de melhora, acione o Samu-DF pelo 192
• Permaneça ao lado: acompanhe a pessoa até que ela recupere a consciência
A instrutora do Samu-DF também desmistifica um dos mitos mais comuns. “Não existe isso de engolir a língua. A língua é um músculo e, durante a crise, ela se contrai e fica protegida. Tentar puxar pode causar ferimentos e a mordida forte causada pelas contraturas pode provocar lesões graves tanto na vítima quanto em quem está ajudando”, explica.
Depois da crise, a pessoa pode ficar sonolenta, confusa ou até agressiva. Esse é o período pós-ictal. “O cérebro ainda está se reorganizando. Por isso, não é indicado oferecer água ou comida imediatamente. O ideal é manter a pessoa deitada de lado e em segurança”, orienta a profissional.
Tratamento
O tratamento e acompanhamento é realizado nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Se necessário, o paciente é encaminhado para atendimento especializado. O controle da epilepsia é feito com medicamentos que ajudam a evitar novas crises e proporcionam mais qualidade de vida.
Fonte: Agência Brasília

